Um empresário chamado Nelo Linguanotto, proprietário de uma loja semelhante, diz que este é um “mercado de luxo cultural”, e realmente é isso, os "valores" destes produtos mudaram e que além de compor a culinária, eles podem nos remeter a sensações, lembranças, imagens do passado, enfim. A partir disso, pensei em tratar os produtos dentro deste projeto como se fossem jóias, que é o que são de fato.
Para isso, os materiais escolhidos para a composição deste espaço foram: madeira de demolição, metal e vidro.
É um projeto bastante simples e a distribuição foi feita a partir do móvel principal (vemelho) que divide a área em dois pavimentos e foi pensado desde o primeiro estudo. E que sem querer acabou formando um “Z” de ZEST, assim como disse o Prof. Marcelo Aflalo.
O pavimento superior não foi criado para receber os clientes, não que isto seja impossível, mas, de primeiro momento é mais voltado ao proprietário ou responsável pela loja. O piso também é de madeira de demolição, e a proteção (ou peitoril se é que se pode chamar assim), é de arame comum de construção, fixado no piso e no teto, criando uma fina parede, praticamente transparente e em parte auxiliados por cestos de fibras naturais, que além de decorar o espaço, criam uma barreira. E, de frente para a escada, uma estante para guardar produtos, não que haja a necessidade de estocá-los, mas, caso venha a ter.
CORTE LONGITUDINAL 1.
No desenho acima fica bem claro o móvel "Z" vermelho, trabalhando em conjunto com o "peitoril" de arame do pavimento superior. As estantes são uma mescla entre a sticidade da madeira e a sofisticação do aço cromado e o vidro verde, todas "suspensas" por cabos de aço, não que isso seja verdade, mas, a intenção é que se crie essa ilusão, ainda mais que a iluminação, assim como, nos balcões de vidro, virá do piso, que por sua vez é como uma "piscina" de seixos rolado branco.
No alto, pode-se ver as caixas d'água azul (para água potável) e verde (para água que será reutilizada) e que vou falar logo adiante. CORTE LONGITUDINAL 2.
Este corte é para mostrar a parede verde que foi pensada desde o início deste projeto. Como este é um ZEST, a parede, além de outras espécies recebe as pimentas ornamentais, que vão dar um colorido especial nesta parte. A irrigação desta parede é feita através de uma tubulação atrás dos vasos e que conduzem a água através de mini-dutos até os vasinhos. Essa água é proveniente da chuva, coletada na própria cobertura da loja, e que depois passa por um simples sistema de filtragem e é armazenada na caixa d'água verde. Esta água pode servir também para a descarga do vaso sanitário com caixa acoplada que recebe um sistema de economia por descarga.
Voltando às pimentas, que por sua vez tem a necessidade de receber luz, mas, não de forma direta, criei uma grande clarabóia em toda a extenção da loja e de largura equivalente ao eixo de acesso ao salão. Para criar um desenho diferente deste teto, me inspirei no simplesmente incrível Takashi Sugimoto, do escritório Super Potato (http://www.superpotato.jp/), que trabalha materiais praticamente sem valor aos nossos olhos e os transforma em coisas incríveis, e escolhi telas metálicas, grades e coisas do genero, com formatos diferentes e diversos desenhos e criei um forro, naturalmente vazado e que permite a passagem do luz, o que além da estética, será muito funcional, já que com a luz natural, não há necessidade do uso de luz artificial gerando economia de gastos e um pontinho em favor do meio ambiente.
Para finalizar, logo a frente da parede verde, ficam os expositores de chás, que nada mais é do que potes de vidro encaixados em um sistema de fixação de aço inox fixos do piso ao teto por tubos metálicoa, o que da uma visão mais "high-tech" do produto!!! Seria uma forma de valorizá-los como jóias e matê-los em contato com os clientes, que poderão degustar e sentir o cheiro dos produtos.
Bom, resumidamente é isso... Fica um pouco complexo para explicar assim, mas, acho que vale a intenção. Abaixo tem uns croquis que podem facilitar o entendimento do projeto.
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